Bielorrússia: A Europa mudou de século… este governo nem tanto

Edifícios históricos e avenidas da Praça da Independência em Minsk na Bielorrússia sob iluminação diurna natural.

Há países que atravessaram o século XX e decidiram que já era tempo de seguir em frente. No entanto, a Bielorrússia parece ter recebido o século XXI com alguma desconfiança. Localizado no coração da Europa Oriental, entre a Rússia, a Ucrânia, a Polónia, a Lituânia e a Letónia, o país preservou uma estrutura política e económica fortemente marcada pelo período soviético.

Desde 1994, Alexander Lukashenko ocupa a presidência e consolidou-se como a figura dominante da política nacional. A História avançou e a União Soviética desapareceu. Contudo, em Minsk, algumas estruturas receberam autorização para continuar exatamente como estavam.

História, disputas territoriais e a herança soviética

A história da Bielorrússia é muito mais antiga e complexa do que o rótulo de “última ditadura da Europa”. Durante séculos, o território esteve dividido entre diferentes potências. A região integrou o Grão-Ducado da Lituânia e a Comunidade Polaco-Lituana. Mais tarde, no final do século XVIII, passou para o domínio do Império Russo.

Essa trajetória deixou marcas profundas na administração local. Quando a União Soviética se dissolveu em 1991, a Bielorrússia tornou-se independente. Apesar disso, o país carregava uma herança institucional e cultural que não desapareceu de forma imediata.

A consolidação do poder de Lukashenko a partir de 1994

A independência começou com expectativas de transformação, mas a mudança política foi interrompida rapidamente. Em 1994, Alexander Lukashenko foi eleito presidente, iniciando um processo de centralização do poder. Em 1996, um referendo constitucional ampliou os poderes presidenciais sobre o Estado.

Ao longo dos anos seguintes, a oposição e a imprensa independente enfrentaram sérias restrições. Embora mantenha eleições e instituições formais, o sistema atrai constantes críticas internacionais sobre a sua legitimidade. Assim, a política bielorrussa transformou-se numa estrutura com pouca alternância ao longo das décadas.

Economia estatal e a forte dependência de Moscovo

A economia seguiu um caminho conservador em comparação com os vizinhos. Enquanto outras ex-repúblicas avançaram para privatizações aceleradas, a Bielorrússia manteve o controlo estatal sobre grandes indústrias. Além disso, preservou relações comerciais muito estreitas com a Rússia.

Esse modelo garantiu alguma estabilidade social herdada da era soviética. Por outro lado, criou uma forte dependência financeira e energética em relação ao mercado russo. A modernização ocorreu pontualmente, mas sem alterar a essência do modelo económico centralizado.

Os protestos de 2020 e o cenário geopolítico atual

A relação com a Rússia fortaleceu-se ainda mais após as eleições presidenciais de 2020. Os resultados oficiais desencadearam intensos protestos populares por todo o país. As autoridades responderam com firmeza, levando figuras da oposição, como Svetlana Tikhanovskaya, ao exílio. Como consequência, a União Europeia aplicou sanções económicas contra o regime.

Com a invasão russa da Ucrânia em 2022, a Bielorrússia permitiu o uso do seu território como apoio estratégico para as tropas de Moscovo. Dessa forma, a integração económica e militar entre os dois países tornou-se ainda mais estreita.

Apesar da rigidez política, a sociedade bielorrussa possui uma cultura rica, literatura marcante e uma identidade nacional própria. Minsk é uma cidade reconstruída e moderna, com uma população altamente urbanizada que busca o seu próprio espaço no século XXI.

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